Embriões humanos : seres humanos,
cobaias ou escravos terapêuticos?

 

     A descoberta das qualidades "pluripotenciais" das células embrionárias da placenta e do cordão umbilical, as chamadas células "estaminais", põe em causa de uma maneira muito séria os argumentos de oportunidade que vinham sendo apresentados em defesa da utilização de embriões humanos como cobaias de laboratório ou como escravos terapêuticos.

    Cobaias de laboratório é o que poderão vir a tornar-se os embriões ditos "supranumerários" conservados em França e abandonados pelos seus pais, os quais Jospin, primeiro ministro francês, quer dar aos laboratórios como material de investigação. Isto criará em França duas categorias de seres humanos, duas categorias de embriões humanos, os que são protegidos pela lei e os que são desclassificados como "matéria sem direitos". Não é difícil imaginar que esta "matéria sem direitos" possa vir a ser objecto de comércio e geradora de patentes.

   Escravos terapêuticos condenados à morte após terem sido utilizados, poderá ser a sorte de outros embriões a quem será concedido viver apenas para virem a ser "desmontados em peças" para substituir órgãos de adultos doentes. O processo de clonagem seria utilizado para "fins terapêuticos", isto é, retirar-se-ia o núcleo de uma célula de um adulto doente para o implantar num óvulo feminino cujo núcleo seria suprimido. Começaria assim a viver um ser humano escravo, mas pôr-se-ia fim a essa vida para retirar ao escravo as células ou as peças interessantes para o doente. O facto de se tratar de um "clone" do doente permitiria evitar a rejeição das células reimplantadas nesse doente.

   Será que a minha vida vale que se lhe sacrifiquem outros seres humanos? Tal é a questão que se deve levantar antes de defender que estas pesquisas e estas terapêuticas são indispensáveis para curar certas doenças.

   Recusando-se a ceder à chantagem em nome da cura que é feita por alguns investigadores: "ou isso ou a doença incurável", a Universidade do Sagrado Coração de Jesus, em Roma, abriu no dia 1 de janeiro de 2001 um Centro de Investigação sobre as células embrionárias da placenta e do cordão umbilical. Estas células, que têm o mesmo património genético que o embrião, poderão vir a constituir uma alternativa à utilização de embriões como material de laboratório ou como escravos terapêuticos.

Jean Loguevel