50 Questões
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Para que serve o sofrimento?

 

Testemunho

«Havia já alguns meses que eu me sentia angustiado: dúvidas, sentimentos de culpa, desânimo. Eu tentava resistir fazendo pequenos atos de fé, mas era muito difícil e era preciso recomeçar constantemente. Um dia, em oração, queixava-me a Deus das minhas angústias e, de repente, veio-me este pensamento: "em vez de sofrer e fechar-me sobre mim mesmo eu poderia contribuir para a salvação das almas, oferecendo-as ao Senhor!"

É uma coisa muito simples, só me faltava tentar pô-la em prática. E foi o que eu fiz e... descobri que era muito eficaz. Cada vez que tenho uma dúvida, um sentimento de culpa, digo simplesmente: "Senhor, ofereço-te este sentimento de culpa, ou de dúvida, pela salvação das almas", e quase instantaneamente esses sentimentos desaparecem.

Fortalecido com esta experiência, decidi, passado algum tempo, aplicar o mesmo remédio para outras tentações que tinha, ou até mesmo para a tristeza e a humilhação que sinto quando faço alguma besteira. O efeito é o mesmo! Geralmente mal digo: "Senhor, ofereco-te esta tentação ou humilhação que sinto deste ou daquele pecado" e nesse momento opera-se no fundo do meu coração uma libertação, como uma lufada de ar fresco.»

Frédéric.


Pessoalmente, em vez de dizer "Eu Te ofereço o meu sofrimento", eu digo-lhe... Não Lhe digo nada, uno-me a Ele, uno-me à oferta de Amor de Cristo na Cruz. Foi o Amor que Jesus ofereceu. Não o sofrimento. Esta expressão não é muito feliz pois "oferecer o sofrimento" significa em linguagem cristã, transformá-lo em Amor, fazer do grito de dor um grito de Amor, fazer de toda a vida de sofrimento uma vida de Amor.
O que nós oferecemos é o Amor.Quando chega o sofrimento, seja sob que forma for e também sob a forma de angústia mortal, nada mais tenho a dizer que isto: "Quero unir-me a Ti, sei que tu me amas, eu sei que tu não me abandonas, dá-me a graça de suportar esta prova na confiança."

Mons. Decourtay
(depois de um câncer)

(Extraído de "22 entrevistas com Mons Decourtay"por André Sève).