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Eu disse sim à sua vida

 

Testemunho

Sempre sonhava com o dia maravilhoso em que seria mãe: uma vida sem filho parecia-me inconcebível... No entanto o meu primeiro filho veio de forma inesperada, revoltante... ele foi concebido numa tarde de outono, sob a ameaça de um homem que não conhecia o respeito pela mulher. Tinha 19 anos e não sabia nada da vida. Deus meses mais tarde tive de me render à evidência: uma criança crescia dentro de mim.

Que fazer? Abortar?

Foi então que compreendi o que é o desespero que tira toda a possibilidade de reflexão, que quer lançar-nos no rio mais próximo ou levar-nos diretamente ao aborto. Conheci todos esses sentimentos e é por isso que nunca admitirei que julguem as mulheres que fizeram opção oposta à minha. é preciso tão pouco...

Renunciei rapidamente a esta idéia de suicídio que me veio na tarde em que "soube", mas estava perfeitamente decidida a ver-me livre desse ser indesejável, fazendo um aborto. Parecia-me fácil concretizar esse ato, mas à medida que os dias passavam, a minha decisão tornava-se menos firme, a minha consciência torturava-me. Já não sabia o que havia de fazer e tive a coragem de falar da minha situação a um padre em quem confiava inteiramente. Ajudada pela sua oração, após uma semana de insônias, lágrimas, orações e discussões, eu disse "sim" à "sua" vida, consciente de que estava de certa forma dizendo "não" à "minha" vida.

Esta criança tem um significado

Sabia que ao aceitar aquela criança desconhecida, sacrificava os meus estudos, a minha família e entrava num futuro incerto. Tinha medo de tudo, das críticas dos outros, das características hereditárias, da solidão e principalmente do sofrimento que iria provocar ao meu noivo que eu amava e que me amava...

A cruz é muitas vezes difícil de levar, a própria morte difícil de aceitar, mas através dessa cruz desenha-se a ressurreição. Compreendi devagarinho que cada criança, seja ela fruto de um acidente ou de um amor real, é sempre um "Emanuel", um Deus conosco, que nos impele a melhor compreender o mistério do Menino-Deus, nascido há 2000 anos, o mistério de Deus escolhendo tornar-se pequeno e vulnerável.

Um pai para este bebé

Sinto-me feliz por ter dado a vida, um pouco da minha vida a esta criança "caída do céu". Foi a sua vinda que me formou, que me confrontou com o meu ideal de respeito pela vida, de não-violência, de acolhimento do mais pequeno e de confiança na vida e em Deus.

O meu filho ensinou-me que o amor é mais forte que o medo, que cada um é único, que a fidelidade àquilo em que se acredita dá paz apesar das dificuldades, que toda vida é um presente maravilhoso de Deus. Sei agora que quando Deus permite um sofrimento dá-nos também a sua força para o assumir, cumula-nos da sua graça e chama-nos a entender o nosso sofrimento à luz da sua própria ressurreição. Quero ainda testemunhar que uma mulher com um filho pode ser amada por ela própria: o meu noivo, apesar das pressões familiares e dos "amigos", apesar dos seus próprios medos diante do futuro, não me abandonou - muito pelo contrário - ofereceu-se como pai para o meu filho que se tornou assim "nosso" filho.

O mais velho de uma família

E como o amor envolve tudo, casamo-nos felizes e confiantes e hoje somos uma família na qual o nosso filho mais velho está bem integrado. Temos consciência de toda a felicidade e riqueza que não teríamos experimentado se não tivéssemos acolhido, há onze anos, esta criança que nos abriu para a vida de forma tão intensa.

Catherine