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A pílula ou as estações do amor?

«A pílula não é um "produto verde". Tendo em conta as taxas de hormônios de que é composta, deveria ser banida do mercado pelos ecologistas...»
De qualquer maneira, é verdade que a pílula anti-concepcional tem por objetivo bloquear por produtos químicos o processo fisiológico da mulher para a tornar estéril.

A diferença em relação aos métodos naturais de controle da natalidade, é que estes últimos permitem, sem suprimir o ritmo fisiológico, conhecer com precisão a sua evolução: a alternância entre os períodos em que a mulher não é fértil e os períodos em que ela é capaz de dar a vida.

Num casal, para o homem amar verdadeiramente a sua mulher, não pode reduzi-la permanentemente, pela pílula, a um estado que não passa de uma parte de si mesma. Que traz aliás, conseqüências psicológicas e por vezes médicas.
Amar é reconhecer e acolher o outro em todas as suas dimensões: o seu olhar, e o seu corpo. Os seus sentimentos, os seus gostos, toda a sua personalidade. A sua alma e as suas aspirações ao que é belo, bom, verdadeiro. A sua dimensão de eternidade.

E a sua abertura à vida com esta capacidade de dar a vida em certos períodos. Esta alternância feminina não é um erro da natureza!

No casal que acolhe as estações do ritmo feminino como uma riqueza que faz parte do ser da mulher, o homem permite à sua esposa ser verdadeiramente mulher. E assim também o homem ganha a sua verdadeira dimensão. Eles podem escolher dar a vida, de maneira responsável. Podem também espaçar o nascimento dos seus filhos. Conhecer o renascer do desejo e todos os tempos diferentes do afeto com que escrevem a história do seu amor.

Testemunho

Catherine - No princípio do nosso casamento, não querendo ter filhos logo, comecei a tomar a pílula. Era o método de que mais tinha ouvido falar. O médico que eu tinha consultado não me tinha proposto outro método porque, depois do exame, a pílula não era contra-indicada para o meu caso.

Marc - Fosse qual fosse a escolha da minha mulher, era problema dela. Não imaginava que isso pudesse dizer-me respeito. Os meses iam passando e começamos a desejar um filho.

Catherine - Assim, parei de tomar a pílula. Mas tive que esperar um ano e meio antes de poder conceber. O tempo parece longo quando o desejo cresce.

Marc - Finalmente tivemos uma menina. Este nascimento tão esperado e a nossa conversão aproximaram-nos muito um do outro e foi juntos, desta vez, que quisemos procurar um novo método de controle da natalidade porque não queríamos voltar a usar a pílula.

Catherine - O médico propôs-nos o DIU. Mal informados, optamos por esta solução. Ora, dois dias antes da sua colocação, uma amiga explicou-me que se trata de um micro-abortivo. Portanto, renunciamos a este método.

Marc - Alguns amigos falaram-nos, então, dos métodos naturais de controle da natalidade. Documentamo-nos e experimentamos de boa vontade a sua aplicação.

Catherine – Da minha parte, via este método com uma certa apreensão: medir a temperatura todas as manhãs, observar a mucosa uterina, anotar tudo num caderno, parecia-me muito difícil... Como queríamos um segundo filho, não éramos muito rigorosos. E, de fato, seis meses depois, eu estava grávida e tivemos um rapazinho. Mas depois deste nascimento tornava-se importante ser mais vigilante. Decidi, portanto, retomar seriamente este método. Até o presente, ainda não tinha comprometido toda a minha vontade. Nessa altura, o que acontecera foi ter tido a impressão de viver uma situação um pouco difícil em vez de ser responsável e dona da mesma situação.

Marc – De minha parte, tomei consciência de que devia dar à Catherine a minha atenção e o meu apoio. Descobri pouco a pouco o ciclo feminino, este trabalho maravilhoso que é feito no corpo humano para acolher a vida e progressivamente, aceitava mais livremente os períodos de continência necessários. Pouco a pouco descobrimos toda a riqueza humana e espiritual do amor conjugal mergulhado num diálogo verdadeiro, na transparência, no reconhecimento do outro em tudo o que é chamado a ser. Esta abstinência torna-se fonte de alegria, de ternura, de caridade.

Catherine – Para mim, a partir do momento em que decidi verdadeiramente medir a minha temperatura, observar o muco, anotar, tornarva-se muito mais fácil. Descobria por outro lado todo um conjunto de sinais de que não tinha percebido antes. No fim de alguns meses sabia identificar cada período do meu ciclo. Os esforços do Marc para me ajudar, a sua atenção e a sua escuta encorajavam-me à perseverança. Descobri de minha parte, que também eu tinha que o respeitar: nos períodos de encontro possível, tinha o cuidado de não estar muito cansada, organizando melhor o meu trabalho para estar disponível, ser toda acolhimento e toda oferta.

Marc – Passaram-se três anos até o nascimento do nosso terceiro filho. Foi para nós uma grande alegria saber que num período fértil, a nossa união ia permitir a vida. Foi de comum acordo que oferecemos o nosso amor a Deus para que Ele o tornasse fecundo pela terceira vez.