50 questões
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A felicidade,
é estar
bem com o seu corpo?

É sempre com admiração e uma certa inveja, que reparamos que alguém está "de bem com seu corpo". De fato, o nosso corpo é por vezes bem incomodativo: tratamo-lo mal e com desprezo, tentamos apagar ou esquecer o que nos desagrada, ou então suprimimos uma característica demasiado feminina (ou masculina) difícil de aceitar... Às vezes, pelo contrário, há uma procura desenfreada daquilo que nos poderá embelezar, ou tornar-nos aceitáveis aos olhos dos outros... ou então a imitação de modelos que a publicidade, as revistas, a moda nos propõem como ideais, como chave da realização pessoal. De fato, esses modelos seduzem-nos - foi para isso que eles foram criados - e nós procuramos de forma mais ou menos consciente, correspender a esses ídolos... Trabalho por vezes difícil, no fim do qual não está a felicidade.

Então por quê? O meu corpo tem uma razão de ser, e através do olhar, das atitudes, das palavras, das roupas e das cores que visto, exprime quem eu sou. E isto eu bem sei. Mesmo se o meu corpo não revela tudo, se o mais íntimo de mim mesmo está protegido por ele, o corpo é o primeiro contato com os outros, de quem eu temo o julgamento e a rejeição...
No fundo, se acontecer de ter medo do outro é porque duvido de mim próprio ou não me conheço, ou então porque não gosto verdadeiramente de mim. Tal como sou, podiam não gostar. Então não será melhor esconder-me?

Mas sabes, existe em ti uma beleza, talvez escondida: a tua verdadeira beleza. Ela merece ser trazida à superfície para a desenvolveres... e te tornares tu mesmo. A felicidade é também estar unido em si mesmo e estar em verdade consigo próprio e com os outros. Isto passa por uma reconciliação profunda consigo mesmo e pela aceitação do próprio corpo tal como é, único, como o é o coração. Então este corpo reconciliado poderá em liberdade e no seu estilo próprio dizer alguma coisa sobre mim, na minha originalidade.

Nunca aconteceu a vocês ficar maravilhados com o rosto de um doente ou o comportamento de um deficiente na sua verdadeira beleza? Que perspectiva magnífica poder trabalhar e transformar-se em si próprio!... E Deus pode ajudar-te nisso se Lhe permitires.

"O homem vê as aparências
mas Deus vê os corações"

(Livro de Tobias)

Testemunho

Durante muito tempo rejeitei o meu corpo por causa de uma cicatriz de queimadura que tenho no ombro desde a infância. À medida que ia crescendo ia-me sentindo cada vez mais incomodada pelo olhar dos outros, sempre que estava de roupa de banho ou com vestidos de verão. Depois veio a adolescência, período em que o meu corpo se transformou sem que eu o pudesse impedir. Nessa época, o meu corpo ainda me parecia mais estranho.

Alguns anos mais tarde, mudei-me para Paris: tinha-me tornado uma leitora fiel de revistas femininas, onde não é possível passar uma página sem que nos mostrem e falem do que é uma mulher "ideal". A isto eram somados os anúncios publicitários sempre presentes nas paredes, mostrando corpos de mulheres. Tinha chegado ao ponto de não me suportar. Ainda por cima, tinha um medo enorme de engordar um grama que fosse, visto que toda a gente me elogiava pela minha elegância... Tudo isto transformava a minha existência num pesadelo!

Foi neste contexto que eu me converti. Uma das primeiras coisas que eu descobri foi que a verdadeira beleza é a do coração. Dei-me conta, pouco a pouco, que a rejeição do meu corpo escondia uma necessidade muito profunda de amar e ser amada. A partir do momento em que soube que Deus queria preencher esta espera, consegui aceitar-me melhor como era.

Tenho o desejo de casar e a preocupação com o meu físico ainda está muito presente, porque sei que os rapazes são sensíveis a isso. Mas peço a Deus que me faça dar ao meu corpo o seu devido lugar, para não me tornar escrava dessa preocupação. Peço-lhe também que desenvolva em mim esta beleza do coração, para a irradiar à minha volta.

Laure